Acompanhamento dos dados de saúde da população impacta no desenvolvimento de um país
KUBBO Saúde

Desde 2002 o conceito de prontuário médico deixa de ser percebido somente como documento tradicional em papel. A área da saúde vem, progressivamente, incorporando as Tecnologias da Informação em seus domínios. A mudança trouxe inúmeras vantagens: acesso rápido, a disponibilidade remota, o uso simultâneo por várias pessoas, a legibilidade absoluta a redução do espaço de armazenamento, maior confiabilidade, segurança e confidencialidade das informações por meio da utilização de senhas digitais, a extinção das pilhas de papéis que muitas vezes sofrem deteriorações, acarretando a perda de dados e informações. Vem se notando a importância do prontuário não como um simples repositório de informações estáticas, mas como um documento dinâmico capaz de subsidiar e guiar de forma precisa as atividades dos profissionais que dele fazem uso.

O Journal of Health Informatics, uma publicação oficial da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, tem publicado um artigo sobre a SBIS a cada trimestre. Em seu último artigo divulgado (2012), notifica-se que o Prontuário Eletrônico já é ferramenta indispensável para a realização do processo de enfermagem e, consequentemente, em planejamento em ações de saúde no Sul do Brasil.

Um outro artigo publicado em 2010 no New England Journal of Medicine sob o título ‘The “Meaningful Use” Regulation for Electronic Health Records’, David Blumenthal (coordenador nacional para a tecnologia de informação em saúde) e Marilyn Tavenner (um dos administradores dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid em Washington, DC) reconhecem que o amplo uso de prontuários médicos de saúde (EHR’s) nos Estados Unidos seria inevitável, pois o EHR propicia melhora nas decisões dos provedores de assistência médica e nos resultados nos pacientes.

Seguindo a linha de exemplo do uso do PEP no exterior, podemos constatar a importância do acompanhamento dos dados de uma população para prevenção de doenças ou melhoria no estado saúde geral com a seguinte experiência: em 2011 foi realizado um estudo controlado nos EUA, publicado na revista Archives of Internal Medicine, para avaliar a eficácia do registro médico eletrônico (RME) sobre o atendimento, triagem para osteoporose e gripe e vacinação pneumocócica em pacientes com mais de 65 anos. Os dados mostraram que lembretes no registro médico eletrônico facilitam a melhoria das taxas de vacinação e, quando potencializados pela administração do painel, facilitam ainda mais a melhoria nas taxas de vacinação e impulsionam as taxas de triagem de densidade óssea.

Uma pesquisa da NPR, a Kaiser Family Foundation e a Harvard School feita em 2010, mostrou que 75% dos adultos acreditam que a utilização de prontuários médicos eletrônicos é muito importante para os prestadores de saúde e apenas 12% dos entrevistados disseram que o uso de prontuário eletrônico não seria muito importante para os prestadores de saúde.

A mudança na mentalidade da população é um grande passo ao sucesso total do SRES, pois perceber as ferramentas tecnológicas como facilitadoras é fundamental para que o uso delas atinja seus objetivos - como o de melhorar as condições de trabalho e de acesso à informação. Esses conceitos trazem impactos para o desenvolvimento da população e consequentemente do país.

Um benefício importante é a redução de custos que traz para o governo do país. Por exemplo: na ausência do registro eletrônico do histórico de um paciente, sempre que este vai a um novo médico precisa refazer uma bateria de exames (pela saúde pública ou privada), mesmo que já os tenha feito recentemente. Profissional e paciente desperdiçam tempo e dinheiro. Por sua vez, também o Governo.

Outro benefício para a saúde pública que vale a pena ser ressaltado é que, com os dados registrados, a saúde da população – e de regiões específicas - pode ser monitorada, tendo maior possibilidade de execução e eficácia de campanhas de prevenção. Isso fica ainda mais evidente em casos de epidemia ou de doenças sistêmicas, em que o governo pode atuar e controlar essas doenças de forma mais eficiente baseado nos dados estatísticos do PEP.

O prontuário eletrônico é o passo fundamental para um processo de gestão clínica eficiente. É natural (e necessário) que, em pleno século XXI, o SRES também faça parte da realidade dessa revolução da tecnologia que estamos vivenciando e permitindo nos envolver de benefícios e melhorias em todos os setores da vida e da sociedade. O Prontuário Digital é a saúde se rendendo ao mundo da comunicação em rede. A partida está sendo dada em várias frentes, tanto no setor público, quanto privado. E embora exista um descompasso nesses tempos, o que se espera no futuro é uma integração total dos dois mundos.

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